sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago morre

O Mundo fica mais triste com o falecimento de José Saramago.

A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre." (Jose Saramago)

André Tabosa



Morte de Saramago: Reacções do mundo da política

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domingo, 13 de junho de 2010

Nova obra de Lênio Streck - 2010

Um pequeno grande livro de Lenio Streck.  Poucas páginas, mas uma obra excepcional.

Comentário no site do Professor Ribas.


http://supremoemdebate.blogspot.com/2010/06/leitura-critica-de-lenio-streck.html

Prosseguindo os eventos lançamento debate (já ocorridos na unirio, ufrj e ufrrj) da obra Dialogos institucionais e ativismo (Editroa Juruá), nas dependências da Unesa no "campus" de Meneses Cortez, o prof Lenio Streck da Unisinos execeu a função de leitor critico. Iniciou a sua leitura critica destacando dois artigos do denominado anteprojeto do CPC de Luis Fux entre estes encontra-se o artigo 108. O Professor Lenio Streck, mencionando a sua última obra, atacou duramente esse citado dispositivo ressaltando depois de todo avanço da teoria do direito e dos investimentos em pós-graduação em direito no Brasil como é possível ter uma norma determinando que "serão aplicadas analogia, principios gerais do direito". Tal fato agride o século XXI. Quer dizer que no Brasil de hoje se depara com juiz ainda pensando na Escola da Excegese! Lembrou para compreender as teorias diálógicas compreendidas na obra comentada que há uma responsabilidade de todos de terem "importado" da Alemanha a jurisprudência de valores. Esqueceu-se de que a tradição do juiz na Alemanha é diferente da trajetória brasileira em termos de magistratura. Importou-se, também, como "idéias fora do lugar" um Alexy que não tem nada ver com o seu pensamento. Criou-se uma vulgata de Alexy! A sociedade brasileira colhe gravissimos resultados de uma justiça discricionária. Esquece-se da democracia, do legislador. Paga-se o preço de haver hoje na sociedade brasileira uma judicialização com uma vulgata de ativismo. A obra criticada serve como um instrumento importante para restabelecer essa presença democrática da scoiedade.Além desse contexto institucional político gravissimo, desponta a presença do "amicus curiae" como encobrindo uma genuína interação social. Há um reducionismo nesse processo do "amicus curiae". Outro ponto de reflexão é criticar a participação do CNJ como centro de pesquisa em diagnósticos já conhecidos.Em sintese é vital a leitura da obra do leitor critico Lenio Streck - O que é isto decido conforme minha consciência? Livraria do Advogados, 2010

Notícia do Jornal DN de Portugal

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1588694

Arlindo Carvalho

MP investiga circulação de 64 milhões entre BPN e empresas

por C.R.L.09 Junho 2010
Ex-ministro é suspeito de ter auxiliado Oliveira Costa a parquear património e a conseguir valorizações fictícias.
Arlindo de Carvalho e José Neto estão ainda sob investigação num processo ligado ao BPN. Ambos foram, em Julho de 2009, constituídos arguidos pelos crimes de burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Em causa está um circuito de circulação de património entre empresas ligadas ao BPN e ao grupo Pousa Flores dos dois arguidos que, segundo o Ministério Público, lesaram os interesses do banco.
Segundo os interrogatórios judiciais de Arlindo de Carvalho e José Neto - que constam do processo da compra de património de uma empresa do extinto IPE (ver texto em cima) - o BPN, durante a gestão de José Oliveira Costa, terá participado "em várias sequências de negócios que conduziram à atribuição de ganhos, sem lógica comercial, a Arlindo de Carvalho e José Neto".
Durante o interrogatórios, ambos os arguidos foram confrontados pelo juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), com vários desses negócios, que totalizaram 64 milhões de euros em operações financeiras.
Em resumo, segundo as suspeitas comunicadas a Arlindo de Carvalho e José Neto, "o BPN aceitou financiar, directa ou indirectamente, determinadas aquisições" feitas por empresas de ambos "para depois vir o próprio grupo a recomprar o mesmo activo por um valor ao da transacção anterior que aceitou financiar".
Este tipo de operação, ainda de acordo com o juiz Carlos Alexandre, fez com que o banco fosse "levado a remunerar a intervenção de terceiros - como a Pousa Flores - apenas para conseguir parquear temporariamente activos, gerando uma valorização fictícia dos mesmos". Arlindo de Carvalho e José Neto refutaram as suspeitas, afirmando que tudo se tratou de negócios normais. Mas ambos foram confrontados com, pelo menos, seis casos em que empresas detidas pelos dois compraram património com financiamento do BPN, sendo que o banco se comprometeu a recomprar tais activos. O juiz referiu ainda que só pela simples passagem dos montantes nas contas foram gerados 800 mil euros em juros.

James William Coleman - Citações

Trago citações da obra "A Elite do Crime" (Tradução de Denise R. Sales.São Paulo, Manole, 2005). O número da página está ao final de cada citação.


"Quando seus crimes são descobertos, os criminosos do colarinho branco costumam usar uma série de técnicas para obstruir os processos na justiça. Nesses casos, uma das formas mais eficazes  é o jogo da protelação. Geralmente a corporação se recusa a entregar às autoridades os dados e documentos solicitados pelos órgãos reguladores, o que prolonga a batalha jurídica pela obtenção de informações. Quando um tribunal ordena que as informações sejam realmente divulgadas, com frequencia é usada a tática alternativa de "concordância exagerada". Num desse casos, atendendo a uma ordem judicial de entrega de documentos num processo antitruste, a IBM apresentou 75 milhões de págfinas (...) A eficácia disso pode ser vista na capitulação da FTC no caso Exxon, em que o governo admitiu abertamente não ter condições de dar seguimento ao processo porque isso levaria muito tempo." (p. 291)

"Uma das diferenças mais importantes entre esses dois tipos de casos é o fato de o advogado do criminoso do colarinho branco envolver-se no caso muito antes de seu andamento judicial. Enquanto os criminosos de rua raramente dispõem de um advogado antes de serem presos e processados por um crime, seus colegas do colarinho branco geralmente ficam sabendo as acusações e contratam um advogado num estágio preliminar ao processo jurídico" (p. 250)

"O problema enfrentado por muitos promotores públicos é que, em geral, eles são avaliados por meio de dados estatísticos, como o número de casos levados ao tribunal e a porcentagem desses casos que resulta em condenação. Portanto, a estratégia mais atraente é apresentar processos simples, cuja vitória é garantida, e evitar os casos contra réus poderosos." (p. 247)

"A situação já é ruim em tempos normais, mas quando um escândalo de grandes proporções domina o sistema, tudo afunda ainda mais. Foi o que aconteceu no caso do segmento de poupança em empréstimos. Um funcionário frustrado disse a um grupo de criminólogos que investigavam esses problemas: "eu me sinto como se estivesse no Alasca durante um vazamento de óleo com um rolo de toalhas de papel [...]o trabalho é monstruoso e tudo que eu consigo pensar é onde vou arranjar mais toalhas. Fico ali de pé com meu rolo e olho para o mar de óleo que se aproxima, esse mar colossal. Ao mesmo tempo, as pessoas gritam: ' Os pássaros e os peixes estão morrendo! Trabalhe mais depressa' Estou trabalhando o mais depressa que posso." (p. 285)

  "Além dos benefícios obtidos por causa da riqueza e do status, as pessoas envolvidas em crimes corporativos desfrutam também de outra vantagem adicional: o texto da lei é elaborado com forte predisposição individualista, o que torna difícil lidar com esse tipo de crime. Para condenar alguém por uma transgressão criminal, a lei geralmente exige que seja provado que a pessoa tenha cometido as ações criminosas, mas também que tenha agido com dolo. Vamos imaginar a seguinte situação: o porta-voz de uma empresa afirma que um produto mortal é seguro. De acordo com a lei, ele só terá cometido um crime caso estivesse ciente de que a afirmação era falsa. Mas a equipe de relações públicas da empresa dificilmente forneceria essa informação, mesmo se os perigos do produto fossem amplamente conhecidos em todos os setores da empresa. Alguém dentro da organização com certeza sabia dos perigos e foi o responsável pela ordem ou permissão para divulgar a informação falsa, mas é extremamente difícil provar isso. Se as corporações como um todo fossem colocadas no banco dos réus, a intenção criminosa (por exemplo, saber que a informação era falsa) seria muito mais fácil de ser provada (...) Muitos executivos do alto escalão evitam tomar ciência de qualquer atividade criminosa praticada por seus subordinados, mesmo que indiretamente incentivem tais práticas." (p. 288)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Boa Fé Objetiva e STJ

É legal quando vemos o STJ reconhecendo o princípio da boa fé objetiva em seus julgados:


Processo


Ag 1183132

Relator(a)

Ministro HAMILTON CARVALHIDO

Data da Publicação

05/10/2009

Decisão

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.183.132 - MG (2009/0078852-1)

RELATOR : MINISTRO HAMILTON CARVALHIDO

AGRAVANTE : MUNICÍPIO DE BELO VALE

ADVOGADO : NEWTON VASCONCELLOS PEREIRA E OUTRO(S)

AGRAVADO : ALAN AUGUSTO REIS DE MOURA

ADVOGADO : ANTÔNIO GERALDO MALTA DE MOURA

DECISÃO

Agravo de instrumento contra inadmissão de recurso especial

interposto pelo Município de Belo Vale, com fundamento no artigo

105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, impugnando

acórdão da Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de

Minas Gerais, assim ementado:

"ADMINISTRATIVO - CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA IRREGULAR - BOA-FÉ OBJETIVA

- AFASTAMENTO DO ENUNCIADO 363 DO TST - DEVIDAS AS PARCELAS

SALARIAIS. O contrato de trabalho celebrado entre a administração

pública e o servidor deve ater-se às regras insculpidas no artigo

37, II e IX da Constituição Federal. No caso de contratação

irregular, os efeitos do vício serão observados 'ex nunc', pelo que,

tendo sido despendida a força de trabalho do empregado, fará ele jus

às parcelas anteriormente acordadas e garantidas por lei, como

salário dos dias trabalhados e verbas remuneratórias, indenizatórias

e rescisórias. O princípio da boa-fé objetiva deverá ser respeitado,

sendo forçoso reconhecer que é vedado à administração pública

alterar os contornos do acordo anteriormente traçado com fins de

obter vantagem da sua própria conduta irregular." (fl. 116).


(...)



O princípio da boa-fé objetiva é regido por três institutos



distintos, quais sejam: confiança jurídica; venire contra factum


propium e supressio'.

A confiança jurídica atende as relações entre a administração e o

administrado, de forma que nas relações entre eles deva prevalecer o

sentimento de segurança, de forma que o contratado acredite que os

moldes de sua contratação apresentam consonância com o sistema

jurídico. Isso significa dizer que quando da celebração do contrato

temporário de trabalho a apelada poderia supor, presumir, que não

havia ilegalidade alguma naquela contratação, mesmo porque foi

proposta pelo próprio Estado.

O 'venire contra factum proprium' veda o exercício de uma posição

jurídica contraditória àquela assumida anteriormente pelo ente

público. Este instituto consagra a vedação às partes contratantes de

tentar obter êxito mormente sua própria atuação ilegal. Neste

sentido o Município não pode lograr êxito da ilegalidade da

contratação, pelo que o não pagamento dos direitos trabalhistas - no

caso concreto férias acrescidas de um terço - enseja em hialino

enriquecimento sem causa, mormente pelo aproveitamento de uma

situação que se encontrava consolidada, e que agora somente é

trazida à tona para fins de vantagens próprias.

Por fim, o instituto da 'supressio' denota a vedação do exercício de

um direito que deixou de ser conclamado no passado.

Isto não quer dizer que a administração nunca poderá reavaliar seus

atos, pelo contrário. A autotutela sempre foi um dos pontos

primordiais na manutenção da juridicidade das relações que envolvem

o Estado. No entanto, o que não pode ser admitido é justamente a

utilização de sua própria ilegalidade como forma de enriquecimento

ou obtenção de vantagem.

Insta trasladar trecho de outro acórdão proferido pelo STJ que muito

se assemelha ao caso em debate, vejamos:

'A teoria dos atos próprios impede que a administração pública

retorne sobre os próprios passos, prejudicando os terceiros que

confiaram na regularidade do seu procedimento.

(...)

'Sabe-se que o princípio da boa-fé deve ser atendido também pela

administração pública, e até com mais razão por ela, e o seu

comportamento nas relações com os cidadãos pode ser controlado pela

teoria dos atos próprios, que não lhe permite voltar sobre os

próprios passos, depois de estabelecer situações em cuja seriedade

os cidadãos confiaram' (Recurso Especial 184.487/SP DJU 03-05-1999,

p. 153; RSTJ 120/38), Ministro Ruy Rosado de Aguiar)

No mesmo sentido já se posicionou a jurisprudência desta corte:

'DIREITO ADMINISTRATIVO - AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA CONTRA

MUNICÍPIO - SERVIDOR PÚBLICO - CONTRATAÇÃO IRREGULAR - NULIDADE -

INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 37, II E § 2º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL -

PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - A Administração

pública tem o dever de pagar pelos serviços prestados pelo servidor,

porque restou comprovada a relação laboral entre as partes, mesmo

que irregular a contratação, por inobservância dos requisitos

previstos no artigo 37, IX, da Constituição Federal.' APELAÇÃO CÍVEL

Nº 000.256.956-4/00 - COMARCA DE BOTELHOS - APELANTE(S): 1º) JD DA

COMARCA DE BOTELHOS, PELO MUNICÍPIO DE BOTELHOS, 2º) PAULO CÉSAR DA

SILVA - APELADO(S): PAULO CÉSAR DA SILVA - RELATOR: EXMO. SR. DES.

BRANDÃO TEIXEIRA

'APELAÇÃO CÍVEL/CONTRATAÇÃO IRREGULAR/AUSÊNCIA DE CONCURSO

PÚBLICO/VIOLAÇÃO AO ART. 37, II E § 2º DA CF/IRREGULARIDADE QUE NÃO

IMPEDE O PAGAMENTOS DOS SALÁRIOS E VERBAS COMPLEMENTARES DO PERÍODO

EM QUE SE VERIFICOU A PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. A contratação de

servidor pela municipalidade, sem o devido concurso público, é nula

de pleno direito, eis que viola o art. 37, inciso II, da CF.

Contudo, inobstante a irregularidade da contratação do servidor, se

a Administração Pública se beneficiou da prestação de serviço,

tornam-se devidos os salários e as verbas complementares, como

férias e 13º salário, eis que foi a própria administração a

responsável pela nulidade do contrato'. (APELAÇÃO CÍVEL Nº

000.252.438-7/00/COMARCA DE CONSELHEIRO LAFAIETE/APELANTE (S): PAULO

FERNANDO DE CARVALHO LIMA/APELADO (S): MUNICÍPIO CONSELHEIRO

LAFAIETE/RELATOR: EXMO. SR. DES. SILAS VIEIRA, DJ DE 17.09.2002).

Durante todo o pacto laboral, mesmo que eivado de irregularidades, o

empregado percebeu as devidas parcelas de cunho remuneratório, em

contrapartida do trabalho realizado em favor do apelante Assim

sendo, não existe motivo para tolher o direito do requerente, mesmo

porque, segundo os entendimentos acima mencionados a suposta

ilegalidade 'in casu' traz efeitos 'ex nunc', que jamais poderão

retroagir ferindo a segurança jurídica instaurada naquela relação

Município-empregado.

Insta salientar que no caso concreto é muito mais plausível que o

demandado/apelante comprove o pagamento dos valores em crivo, em

face da dificuldade de produção de prova negativa pelo Apelado. Não

se há de exigir a prova negativa do autor se o réu detém a prova

positiva. De fato, há de se considerar que na prefeitura constem

recibos, comprovantes de depósito, fotocópias dos contracheques ou

quaisquer outros documentos que possam elidir o suposto direito do

servidor.

O ônus da prova que se verifica no caso em crivo, realiza-se de

acordo com a previsão do artigo 333 do CPC:

'Art. 333. O ônus da prova incumbe:

I - ao autor, quando ao fato constitutivo de seu direito;

II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou

extintivo do direito do autor.

(...)'

Assim, se o réu diz que pagou, é sua a prova do pagamento, como fato

ou extintivo do direito do autor.

O documento juntado pelo Município às f. 33 comprova o pagamento do

salário base e salário família referente a dezembro/2004, não

havendo prova somente quanto ao salário família referente ao mês de

novembro/2004.

Quanto ao adicional de insalubridade pleiteado, verifica-se que não

há nos autos qualquer prova no sentido de que a atividade

desempenhada pelo servidor tenha sido realizada nessas condições.

Assim, dou parcial provimento ao primeiro apelo, para excluir da

sentença o pagamento do salário base e salário família referente ao

mês de dezembro/2004, haja vista a comprovação pelo documento de f.

33. Nego provimento ao segundo apelo.

(...)" (fls. 121/129).

Ao que se tem, realizando-se o cotejo entre a norma constante nos

artigos 166 a 169, do Código Civil e 24, da Lei nº 8.666/93 e os

fundamentos do acórdão recorrido, verifica-se que os aludidos

dispositivos legais não foram objeto de apreciação pelo Tribunal a

quo.

À vista disso, inarredável a ausência do indispensável

prequestionamento, o que inviabiliza o conhecimento da insurgência

especial, a teor do que dispõem os enunciados nºs 282 e 356 da

Súmula do Supremo Tribunal Federal, verbis:

"É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na

decisão recorrida, a questão federal suscitada."

"O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos

declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por

faltar o requisito do prequestionamento."

Registre-se, ainda, por oportuno, que a Excelsa Corte Especial deste

Superior Tribunal de Justiça firmou já entendimento quanto à

imprescindibilidade da oposição de embargos declaratórios para fins

de prequestionamento da matéria, mesmo quando a questão federal

surja no acórdão recorrido (cf. EREsp 99796/SP, Rel. Ministro

EDUARDO RIBEIRO, CORTE ESPECIAL, julgado em 16/06/1999, DJ

04/10/1999 p. 36).

Pelo exposto, nego provimento ao agravo.

Publique-se.

Intime-se.

Brasília, 17 de setembro de 2009.

Ministro Hamilton Carvalhido, Relator

terça-feira, 8 de junho de 2010

Palestra de Julio Maier - Argentina

Link para palestra de Julio B. Maier, "Para que Serve o Direito":

http://www.derecho.uba.ar/multimedia/v_maier_01.php

Rodamos toda a Europa e EUA em busca de grandes autores...e as grandes escolas jurídicas do mundo se voltam para a Argentina e países da América Latina.

Julio Maier é um dos maiores processualistas penais vivos.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Decisão interessante sobre Crime de Desobediência em Portugal

Desobediência - Processo sumário - Aplicação da lei no tempo - Concurso de infracções - Cúmulo jurídico - Pena única
1 – Para que o crime de desobediência do art. 348.º, n.º 1, do C. Penal se verifique, torna-se necessária a existência de uma disposição legal que expressamente comine a punição da desobediência (al. a)) ou, na ausência de disposição legal, uma ordem substancial e formalmente legítima, provinda de autoridade competente para a emitir (al. b).
2 – Com a Lei n.º 48/2007, de 29-08, foi eliminada do CPP a cominação legal de crime de desobediência em caso de não comparência do arguido a audiência em processo sumário (art. 387.º, n.º 2, do CPP), que foi substituída pela advertência de que aquela será realizada, mesmo que o arguido não compareça, sendo representado por defensor.
3 – E se, no domínio da redacção anterior à Lei 48/2007, se entendia que não era aplicável ao caso o disposto na al. b) do n.º 1 do art. 348.º do CP – pois a legitimação do crime de desobediência decorria da al. a) daquela disposição –, então também não é defensável que a eliminação da cominação pelo referido diploma não afasta o recurso àquela al. b). Por isso, se qualquer autoridade emitisse uma ordem, suprindo a omissão legal, notificando o arguido para comparecer à audiência sob cominação do crime de desobediência, tal ordem não seria substancialmente legítima, porque não se encontrava legalmente tutelada, apesar da autoridade ser formalmente competente para a emitir.
4 – Assim, inexiste agora crime de desobediência por falta de comparência de arguido notificado a audiência de julgamento em processo sumário.
5 – Tendo havido descriminalização do crime de desobediência previsto no art. 387.º, n.º 2, do CPP, na redacção anterior à reforma de 2007, é de aplicar retroactivamente a lei penal mais favorável (art. 2.º, n.º 2, do CP) que, embora processualmente localizada, é materialmente substantiva, integrando-se no âmbito doutrinalmente considerado das normas processuais substantivas.»
6 – A pena única é determinada atendendo à soma das penas parcelares que integram o concurso, atento o princípio de cumulação a fonte essencial de inspiração do cúmulo jurídico sem esquecer, no entanto, que o nosso sistema é um sistema de pena unitária em que o limite mínimo da moldura atendível é constituído pela mais grave das penas parcelares (numa concessão minimalista ao princípio da exasperação ou agravação - a punição do concurso correrá em função da moldura penal prevista para o crime mais grave, mas devendo a pena concreta ser agravada por força da pluralidade de crimes), sem que possa ultrapassar a soma das penas concretamente que seriam de aplicar aos crimes singulares.
7 – Frequentemente, no escopo de obstar a disparidades injustificadas da medida da pena, essa “agravação” da pena mais grave é obtida pela adição de uma proporção do remanescente das penas parcelares que oscila, conforme as circunstâncias de facto e a personalidade do agente e por via de regra, entre 1/3 e 1/5.
8 – Se anteriormente foram efectuados cúmulos anteriores, como era o caso, deve atender-se às respectivas penas únicas conjuntas, apesar de tais cúmulos serem desfeitos, retomando todas as penas parcelares a sua autonomia.
9 – Não há concurso entre as penas de um processo e outro posterior se o trânsito do primeiro processo é anterior ao cometimento dos factos dos restantes. Assim, as penas aplicadas nesse processo não entram no cúmulo jurídico e o cumprimento da pena única então aplicada não se confunde com a pena única correspondente aos restantes processos.
10 – Mas, face ao princípio da proibição da reformatio in pejus, uma vez que se trata de recurso trazido exclusivamente pela defesa, não pode ser agravada, por tal circunstância, a pena única fixada.
AcSTJ de 02.04.2009, proc. n.º 487/09-5, Relator: Cons. Simas Santos

Modulação contratos administrativos

 RECURSO ESPECIAL Nº 2211999 - SP(2024/0245042-2) RELATORA : MINISTRA REGINA HELENA COSTA RECORRENTE : PRODUMED - SERVICOS,INDUSTRIA E COMER...